Zeca Afonso # 2

Globalmente, bem melhor do que o disco de Jacinta. Arrisca menos, mas a sua maior fidelidade faz-se por desvios bem doseados e direccionados, que deixam uma marca pessoal indiscutível. Entre o fado e o jazz, um caminho só seu para um Zeca Afonso cada vez mais de nós todos.

Zeca Afonso # 1

Nem tudo é conseguido. Mas por vezes a voz de Jacinta parece andar por outros timbres, e fica-se à espera do que por aí poderá vir. E quando é conseguido, se admiramos o cover, rendemo-nos por inteiro à arte de composição de Zeca Afonso. Estamos a assistir em directo à consagração de um autor tal como ela deve ser feita —prolongando a sua obra. Às vezes parece que não, mas ainda vai havendo restos de justiça neste mundo.

Sabedoria das nações # 4

E tu não queres aproveitar este teu estado de descanso forçado para fazeres o balanço de 2007?
Ui, tu nem fales em balanços, ao chá que tenho bebido é desastre pela certa.
Também não é preciso ser tão escatológico, homem de deus!
Ui, tu nem fales em deus, que...
Ok, ok, vê lá então se dormes. E lembra-me para amanhã não passar por cá. Sujeitinho irritante, irra!

Sabedoria das nações # 3

Com tanta coisa no mundo e tu a desfazeres-te em ranho e baba... Que despautério, menino! Mas tu também pouco ligas ao mundo, não é? Não és jornal diário? E que tem isso que ver com o caso? Mas o melhor é deixar-te em paz, ou ainda me pegas essa coisa... Que desagradável. E que falta de chá, vir com essas coisas para a blogosfera. Francamente!..

Sabedoria das nações # 2

Oh, tadinho, quase a ter febre... tadinho mesmo... quem não te conhecer que te compre... hehehe...

Sabedoria das nações


É da sabedoria das nações que, para alguns gajos, uma constipação é apenas um justo pretexto para ir ao pote de mel sem complexos de culpa. Ah, e para pôr o sono em dia. Corpo é Sábio...

Mas tu não era para estares noutro lado? # 4

E sempre vais?
Não.
Adianta alguma coisa?
Bem, talvez vá.
Em que ficamos?
Ficamos fora de prazo.
Fala por ti.
Nem isso, nem isso.

Mas tu não era para estares noutro lado? # 3

Alegadamente?
Sim, alegadamente. Conheces outro modo de viver, nestes tempos?

Mas tu não era para estares noutro lado? # 2

Manténs a esperança?
Que coisa cretina e estúpida.
Como dizê-lo?
Não digas. Irritas-me. Profundamente. Nem imaginas quanto.
E se imaginasse?
A mesma cretinice e a mesma estupidez.

Mas tu não era para estares noutro lado? # 1

Há um limiar?
Sim, há um limiar.
O único problema é que só se sabe depois. Às vezes, muito tempo depois.
Às vezes, nunca.

Oscar Peterson (1925-2007)


De poucos músicos “anti-introspectivos” eu consentiria que me pudessem levar a atravessar o vasto escuro da alma. Mas viajei muito no comboio da noite. O suficiente para reconhecer em muita da sua música essa pulsão bluesy que não é só ritmo mas também forma da dor e da travessia.

Hoje é sábado, já não está sol, e a gente sempre vai pensando um pouco

mas entretanto é melhor ires comendo as rabanadas, certo?..

Hoje é sábado, está sol, e não quero saber de desgraças

Pensando bem, já não era mau se a liberdade fosse a consciência da necessidade. Muitas vezes não é. Apenas determinismo que desconhecíamos. Herança secreta. Mas é como digo: hoje é sábado, está sol, e não quero saber de desgraças.

post scriptum # 10

Já nos despedimos mil vezes. E mil vezes mais nos iremos despedir sem o sabermos. As histórias passadas continuam sem nós. É a única maneira de nos podermos ocupar da vida que resta.

post scriptum # 9

Não falei na morte. Não acho que se morra aos bocadinhos, nem de uma vez só. Acho que não se sabe. Nem a experiência ensina. Mas estou bastante seguro de não ter falado na morte.

post scriptum # 8

As saídas de emergência dão para o mesmo beco da saída normal. Daí vai-se para toda a parte.

post scriptum # 7

Não te esqueças dos procedimentos.

post scriptum # 6

Podes fugir mas não te podes esconder? Não é verdade. Como a carta roubada, estás à vista de todos, por isso invisível. E se alguém te reconhecer, é porque a carta roubada afinal não és tu — como poderia o roubo prescindir do segredo?

post scriptum # 5

Já nos despedimos mil vezes. Percebo agora que algumas delas foram definitivas.

post scriptum # 4

Não falei na morte. Tenho a certeza. Teria sido desnecessário.